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Por um mundo melhor

10 de fevereiro de 2017 , In: Aprendendo com o autismo, Direitos , With: No Comments
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Quelação: Uso de medicamentos pesados, utilizados inicialmente para tratar envenenamento por chumbo e que normalmente causam graves danos ao fígado e aos rins.

Protocolo MMS “Miracle Mineral Solution” (MMS): dois frascos contendo – um, uma solução de Clorito de sódio e o outro, solução de ácido cítrico. Os dois compostos, ao serem misturados, formam uma solução de DIÓXIDO DE CLORO. Vem sendo aplicado como enema (lavagem intestinal). Pode causar a destruição do revestimento interno do intestino, erupções cutâneas, inconsciência e até a morte.

Dietas específicas: Consiste na retirada de alimentos considerados alergênicos (atualmente, os vilões são o glúten e o leite) da dieta da criança. Um médico brasileiro vem atribuindo o autismo à alergia alimentar. Crianças alérgicas, em contato com o alergênico, com certeza podem apresentar sintomas que seriam confundidos com características autísticas. Em crianças autistas, suas características, somadas aos sintomas da alergia, tendem a se tornar mais evidentes. Dietas para crianças e adultos que sejam alérgicos/intolerantes a certos alimentos sempre serão bem vindas e trarão, com certeza, mais qualidade de vida! Só que, se essa criança for autista, ela não deixará de ser autista por uma dieta qualquer, assim como crianças autistas não alergênicas, quando forçadas a dietas extremamente restritivas como estas, correm riscos sérios de desenvolver alergias (a variedade alimentar é um grande defensor imunológico). Perda de tônus muscular, baixa resistência a outras doenças (quando se retira os alimentos e se aplica uma fórmula de leite que nunca trará as vitaminas e sais mineiras necessários para uma criança já na fase alimentar) e riscos de sequelas graves no futuro (pelo uso indiscriminado de corticoides) são alguns dos “efeitos colaterais” dessas dietas “milagrosas”.

Esses são três exemplos mais fortes que peguei das centenas de tratamentos “alternativos” para a condição autista. Os dois primeiros, chocantes, o terceiro – só a metáfora do sapo na água quente explicará seus riscos para as nossas crianças. =(

Eu entendo e respeito profundamente pais e mães que buscam dar a seus filhos e filhas mais qualidade de vida, é o que também busco para o meu! Todas e todos queremos que nossas crianças cresçam felizes, que se desenvolvam plenamente e se tornem adultos autônomos, capazes e donos dos seus próprios narizes.

Eu só gostaria de contar para vocês algo que aprendi: Nenhum de nós é totalmente independente. Todos dependemos, de alguma forma, da sociedade que nos cerca. Só que alguns precisam de mais suporte social, outros menos.

Imagine que lindo, que maravilhoso se, ao invés de estarmos gastando rios de dinheiro em pesquisas para tentar curar algo que não é doença, mas uma condição, usássemos esse recurso para que tivéssemos um mundo mais inclusivo, com menos barreiras físicas e atitudinais? Onde as pessoas não se incomodassem com os pulos e palmas de um autista no supermercado, onde todas as escolas oferecessem o suporte que cada aluno – autista ou não – precisasse para desenvolver seus estudos, com salas adaptadas, atendimento individualizado, respeito às características e necessidades de cada um?

Imagine – só imagine – que, se ao invés de tentarmos adaptar o autista ao mundo, nós nos atrevêssemos a adaptar o mundo aos autistas, aos cadeirantes, aos surdos e a todos aqueles que, em nossa visão capacitista, são “deficientes” perante a humanidade?

Eu gosto de imaginar isso. Vou mais além, gosto de lutar por isso.

Por um mundo melhor, deixemos os autistas em paz e mudemos o mundo!

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