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O machismo nosso de cada dia

1 de abril de 2015 , In: Direitos , With: No Comments
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Post publicado no perfil do facebook no dia 25 de maio de 2016

Eu sempre tive fama de encrenqueira. Meu primeiro chefe me chamava de bicho do mato. O último, 17 anos depois, dizia que ainda ia me adestrar.

Uma vez trabalhei em uma empresa onde, junto com três rapazes, era responsável por um novo departamento, o de geração de energia, bem na época do apagão (2001). O gerente era um deles, minha responsabilidade era dar suporte a ele organizando tudo, fazendo propostas, atendendo solicitações, etc. etc. ad infinitum. Ele era engenheiro formado, com um conhecimento técnico fantástico, um amor de pessoa, mas não tinha muita pressa pra fazer as coisas nem jeito para a área comercial e, quando fui contratada, o vice-presidente (que tinha acabado de me conhecer na entrevista) me apresentou para ele assim. “Cordeiro (era o sobrenome do gerente), essa aqui é a Adriana Leão.” (não, leão não é meu sobrenome).
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(Sempre fui bem transparente sobre a minha personalidade, né? E me contratavam justamente por isso, não apesar disso.)
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Bem, após resolver tudo, a corrida pela energia diminuir, eu mudei de setor (para o que tinha sido contratada desde o início) e outra pessoa foi chamada para dar continuidade ao trabalho, agora um engenheiro entendido do negócio (eu era apenas uma vendedora de peças, não uma técnica), mas o cara era um enrolado nato e acabou fazendo uma lambança completa. Nem seis meses se passaram e fui chamada de volta para tentar consertar os erros, mas o rapaz não me passava as informações necessárias para poder limpar a bagunça e eu ficava cada dia mais estressada.
Em uma reunião agendada com o diretor sobre um caso bem grave que eu estava desde o início tentando resolver, já soltando fogo pelas ventas, fiz uma crítica ao engenheiro que me olhou com cara de cachorro abandonado e soltou:

“Adriana, você me faz chorar lágrimas de sangue”.

Claro que não aguentei e soltei uma gargalhada. Logo após, o diretor me chamou na sala dele e me disse poucas e boas, afinal, eu não tinha sensibilidade, em que nível de sofrimento aquele rapaz chegou para se expor dessa maneira e eu ainda ria dele, blábláblá”.

Eu só não fui demitida porque eles precisavam de mim. Pouco tempo depois fui transferida para o Departamento de Marketing justamente porque esse mesmo diretor queria a minha cabeça e foi assim que consegui começar a atuar na área ainda na faculdade de administração de marketing (tudo tem seu lado bom).
Conclusão da história de hoje:

Os Temers da vida sempre encontrarão iguais que os protegem, mas não derrubarão as Dilmas facilmente. Até podemos sair, mas saímos de pé, gargalhando.

Ah! E fazemos falta, viu? Muita falta. 😉

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