É hora de ir

4 de novembro de 2016 , In: Comunicando, Direitos , With: No Comments
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“Só me resta agora dizer adeus

E depois o meu caminho seguir

O meu coração aqui vou deixar

Não ligue se acaso eu chorar

mas agora adeus…”

(A pessoa nasce brega, morre brega, tem jeito não).

Então, pessoal, chegou a hora. Após sete anos e 10 meses estou me desligando do Movimento Nossa BH. Foram anos de muito trabalho, algumas vitórias, algumas derrotas e centenas de atividades.

Já fui responsável pela comunicação do Movimento, por análises da execução orçamentária, por apresentar sugestões de emendas às peças do ciclo orçamentário…

Organizei eventos, apoiei audiências públicas, participei de Conferências e Fóruns, de reuniões, debati com representantes e representados, virei comentarista de rádio (vou morrer de saudade do Boletim Cidades Sustentáveis BH, gente, eu amava fazer isso, mesmo com o trabalho que dava) , criei o grupo de trabalho Defesa Animal, me vi fazendo vídeos para o youtube (eu, que nunca gostei nem de tirar fotos!), fui Presidenta do Instituto ao mesmo tempo que cuidava dos emails – porque cargo no Instituto é só para cumprir burocracia e dar maior trabalho – e o maior aprendizado foi estar em uma Organização horizontal, onde todo mundo está no mesmo nível de tomada de decisão.

Briguei, chorei, ri junto. Fiz bons amigos e ótimos inimigos. Fiz parte da Rede Social Brasileira por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis, conheci a Rede Latino-americana por Cidades e Territórios Justos, Democráticos e Sustentáveis, tomei café com Bernado Toro e comi pão de queijo com o Ladislau Dowbor. Fui em inúmeros encontros e participei de eventos em Ilhéus, Teresópolis, Porto Alegre, São Luís, São Paulo, Brasília, Recife, Curitiba, muitas vezes com meus próprios recursos, poucas vezes com algum dia sobrando para aproveitar a chance de conhecer uma nova cidade. Mas a energia daquelas pessoas me revigorava, me fazia (e ainda faz!) acreditar que  um mundo melhor era possível.

O Movimento Nossa BH foi minha melhor escola e não tenho palavras pra agradecer tudo que aprendi nesses anos. Entrei uma Adriana, saí outra. Mais madura, mais aberta e ao mesmo tempo muito mais segura do que é preciso fazer para atingir meu modesto objetivo de mudar o mundo. =D

Agradeço do fundo do coração cada pessoa maravilhosa que conheci nesses anos de voluntariado no Movimento, seja de BH, do Brasil ou da América Latina. Pessoas que estão SIM transformando o mundo.

Acredito que a sabedoria consiste em saber quando é hora de chegar e quando é hora de partir. Adiar ambas pode acarretar mais problemas que soluções.

Estou em busca de um novo projeto de vida. Olho para dentro de mim e percebo, agradecida, o quanto construí e desconstruí graças a esse Movimento. Olho para o futuro e vislumbro novos caminhos – que envolvam a inclusão e a busca por uma sociedade mais justa e tolerante com a diversidade.

Quero voltar a trabalhar remuneradamente, ainda não sei como nem onde, mas estou na fase de voltar a fazer planos e tecer estratégias.

Ficará realmente impossível para mim conciliar trabalho + Nossa BH + casa + leãozinho. Preciso escolher.

Para além disso, o momento político que o país atravessa me fez repensar no sentido que as ações do Movimento têm hoje para mim. Diante de um quadro de uma democracia participativa de fachada que tivemos por anos em BH, tentei ao máximo contribuir para, no fim das contas, uma mínima incidência nas políticas. Tivemos algumas vitórias, como eu disse, mas hoje me questiono sobre a conta esforço x resultados alcançados. Eu hoje estou muito mais propensa em participar de movimentos de combate do que de diálogo. Isso pode mudar daqui algum tempo, mas é o meu momento atual.

Já estou sentindo falta. Do trabalho. Dos amigos. Dos encontros.  Continuarei acompanhando e torcendo para que o Nossa BH cresça e que cada cidadã e cidadão repense sua quota de responsabilidade nos destinos da cidade.

Cito uma frase do querido Bernardo Toro: “Cidadão é a pessoa capaz de criar ou transformar, com outros, a ordem social e a quem cabe cumprir e proteger as leis que ele mesmo ajudou a criar.”

Sei que também será uma nova fase para o Movimento. Tudo se renova e é preciso criar espaços para que o novo venha, para que a mudança ocorra. Tenho certeza que o Movimento só crescerá com isso.

Já faz alguns dias que não sou administradora das páginas (Nossa BH e Voto pelos Animais, essa última agora de total responsabilidade do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais). Hoje deixo formalmente o Instituto e, em breve, não serei mais responsável pelo Boletim Cidades Sustentáveis BH na rádio CBN.

Uma nova estrada se desenha à frente para todas e todos nós. “Caminhemos talvez nos vejamos, depois!” 😉

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