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18 de junho – Dia do Orgulho Autista

18 de junho de 2016 , In: Aprendendo com o autismo , With: No Comments
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Post publicado em meu perfil no facebook no dia 18 de junho de 2016

Como muitos amigos e amigas sabem, em outubro do ano passado fomos em uma nova neuropediatra com meu filho de então 3 anos e 2 meses e, após 1 ano e meio de buscas finalmente tivemos o pré-diagnóstico de sua condição. CID-10 F84.0 – autismo infantil.

De lá pra cá li diversos textos, livros, acompanhei depoimentos de pais, de autistas, de especialistas. E claro que tirei minhas próprias conclusões, aplaudindo o que casava com meus próprios pensamentos ou refutando o que considerava ilógico.

Nesses oito meses de estudos já cheguei a várias conclusões inacabadas (inacabadas porque como toda teoria sempre podem aparecer mais informações que mudem por completo as “certezas” que tenho hoje).

Algumas delas (se colocar tudo vira livro):

1 – O autismo não é doença e, portanto, não deveria ser chamado de transtorno e muito menos estar na classificação de doenças mentais. Isso acontece porque é a única forma das famílias serem reconhecidas em suas necessidades específicas e os autistas terem seus direitos minimamente respeitados.

2 – Se gasta muito mais recurso hoje para tentar curar o autista do que para descobrir maneiras de melhorar sua qualidade de vida, aceitando-o como é e tentando promover sua inclusão na sociedade, exatamente por conta do ponto 1. Isso é preocupante. (Tão preocupante que, após ler esse post, uma pessoa me procurou para me sugerir um “tratamento mágico”.) O.o

3 – É uma tremenda falácia a história de que autismo é mais comum em meninos do que meninas (imaginava-se que, para cada menina diagnosticada com autismo, existem 4 meninos) e por isso representam o “Mundo autista” com a cor azul. Na verdade esse pensamento esconde por trás o machismo da nossa sociedade. A forma como as meninas são socializadas é completamente diferente da dos meninos e isso mascarou as características das meninas autistas por um bom tempo. Só reparar que usualmente conseguem diagnosticar o autismo em meninas quando as características são consideradas mais “severas”. Ou seja, toda a teoria sobre o autismo é machista, gente! Nada de mundo azul, viu?

4 – Não existe nada mais aterrador para qualquer ser humano do que não ser aceito como ele é. Essa é a grande importância de datas como a de hoje (dia do orgulho autista). Assim como as demais minorias massacradas por esse mundo capacitista, racista, machista e lgbtfóbico, os autistas reivindicaram essa data para mostrar que não tinham vergonha de serem diferentes e que sim, se orgulhavam disso. Então que claro que vamos interferir nas dificuldades dos nossos filhos (Leon tem sessões semanais com neuropsicólogo, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo) mas ele não faz essas intervenções porque ele é autista. Existem autistas que não têm dificuldade na fala e então não precisam de fono e assim por diante. Eu aceito meu filho como ele é e tenho muito orgulho disso!

5 – Como cada autista é um, cada pai e cada mãe tem uma visão diferente do autismo. Também existe muito desconhecimento e opiniões diferentes entre “especialistas” do tema. Então que tudo que falo aqui é pela visão da mãe do Leon, que não tem o autismo como seu definidor, mas como parte dele. Pode servir para outra pessoa e pode não servir. Minha visão não invalida a sua e vice-versa, ok?

6 – As pessoas vão se afastar de você e tudo bem, faz parte. Eu não sei quando nem como isso aconteceu, se foi na perda da gestação da Elis, se foi no diagnóstico do Leon ou se foi só por posições políticas mesmo, mas de repente amigos e família começaram a se afastar e dificilmente alguém me convida para qualquer evento ou mesmo vem nos visitar. O desconhecimento assusta e é exatamente por isso que precisamos falar cada vez mais sobre o autismo e, ao contrário de quem acha que falar é vitimismo, creio que essa atitude nos empodera e ajuda a desmistificar o tema.

Vai ter mãe falando de autismo sim e quem se afasta por isso é quem mais perde!

Continuarei estudando o tema e espero em breve estar com meu blog no ar para escrever mais a respeito. E conto com vocês para espalharmos a palavra. 😉

18 de junho, dia do orgulho autista. Hoje também faz sete anos e 11 meses que minha mãe desencarnou e tenho certeza que ela estaria aqui, junto comigo, se orgulhando do seu netinho. Obrigada, D. Inês, por me permitir nascer e assim ser mãe desse menino maravilhoso. Esse dia é seu também! <3

leoneeu

‪#‎PraCegoVer‬ Foto minha com o Leon em abril. Eu o estou beijando na bochecha e ele está rindo para a câmera.

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