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Apresentação do Blog – Você deveria vir comigo!

20 de julho de 2016 , In: Comunicando , With: No Comments
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Hoje não se sabe falar porque já não se sabe ouvir.Com essa frase abri a cartilha de comunicação integrada de marketing que criei junto com outras integrantes do antigo Grupo de Trabalho de Comunicação da Rede Social Brasileira por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis.

Falar para mim sempre foi algo fácil. Eu falo demais. Sou prolixa mesmo e tenho capacidade de criar um texto em poucos minutos com coesão e coerência (mas com vários erros de português, claro, eita língua complicada essa nossa).

Minha mãe dizia que meu dom de comunicação era a minha maior virtude e meu maior pecado. Pois assim como eu posso escrever coisas lindas tenho também a capacidade de destruir alguém com algumas frases. Isso sempre me preocupou, mas nunca me impediu de falar.

Trabalho com a comunicação desde que… trabalho. Ora, meu primeiro emprego foi como cuidadora do meu próprio avô e tinha responsabilidades que variavam entre ler e cantar para ele até atender médicos, amigos e parentes. Depois de sua morte atuei na área de vendas por 12 anos, até finalmente fazer faculdade (de administração com habilitação em marketing) e ser transferida para a área de comunicação. (No Brasil o marketing é manco e usualmente vira só comunicação, uma briga que já comprei muito e larguei de lado, deixa isso para algum post desabafo).

Tenho vários vícios de linguagem, seja ela verbal ou escrita. Uso e abuso de gírias regionais (uai, faz parte, não é mesmo?) exagero nas vírgulas e nos parênteses, sou PÉSSIMA com os porquês, as crases e os artigos que vivo engolindo, mas me comunico e muitas pessoas entendem claramente o que quero dizer.

Mas muitas para mim não é o bastante. Eu quero que a maioria compreenda minhas palavras, meus pensamentos, meus princípios e valores. É um desafio que me imponho todos os dias e fico bem triste quando não consigo me expressar de forma com que o outro entenda.

Adriana, você é responsável pelo que você diz, não pelo que o outro entende. Bora começar a tretar nesse novo blog de cara: discordo. Eu sou sim responsável pelo que eu digo e pelo que o outro entende. Se ele gosta ou não do que eu falo é outra coisa, mas eu tenho a obrigação de me fazer entender.

As teorias de comunicação dizem que, para uma comunicação ter êxito são necessários alguns elementos: o emissor da mensagem, o receptor, o código (o conjunto de signos), o canal da mensagem (visual, sonora, tátil) , o contexto (a situação que envolve emissor e receptor ) e óbvio, a mensagem.

Elementos internos e externos podem causar interferências na comunicação, os chamados ruídos. Poluição visual e/ou sonora, mensagem inadequada, código errado, até uma dor de cabeça pode se transformar em um ruído de comunicação. É tarefa do emissor da mensagem (afinal, ele que quer transmitir, né não?) cuidar para que essas barreiras, essas interferências sejam retiradas.

Adriana, mas se o ruído for interno? Se o receptor está com enxaqueca, se não quer ouvir aquela mensagem, se, se se
Ora, se está com enxaqueca não é hora de transmitir mensagem alguma além de um abraço e
um apoio para que ele melhore. Se não quer ouvir – PARA QUE VOCÊ VAI FALAR, ME DIZ?

Mas a comunicação também tem um ruído que pode não somente dificultar a comunicação como OPRIMIR todo um grupo. Chama-se PRECONCEITO.

O sistema social que nos estrutura é cheio deles, porque eles sustentam esse sistema que criou um modelo perfeito de ser humano a ser seguido: o homem branco, magro, europeu, cis, hétero, de classe média alta ou alta mesmo. Esse homem é burguês, fã do capitalismo, do elitismo e odeia tudo que pode nivelá-lo com os grupos que destoam dele. É o narciso moderno, que mata (literal e simbolicamente) aqueles que não são são seu espelho.

E aí a comunicação se torna instrumento para que esse homem continue desfrutando dos seus privilégios sem ser incomodado. Como disse Foucault: “o discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo porque, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar.” O discurso pode manipular, distorcer fatos e dados, transformar o lobo em ovelha e a ovelha em lobo.

Eu quero me comunicar com vocês. Para isso, me dispo dos meus pré-conceitos e me coloco em posição de escuta. Estendo minha mão, mesmo que virtualmente para sentir sua energia e sua vontade de estar aqui, comigo, conversando.

Esse não é um blog professoral. Não vou dar aulas de nada por aqui. Trarei sim reflexões, reflexões que faço para melhorar a mim mesma todos os dias. Porque eu erro. Porque eu também tenho em mim todos os ismos que apontamos nos outros. O racismo, o machismo, o capacitismo. Porque estou aprendendo e quero avançar. O projeto profissional seguirá suspenso, mas o meu aprendizado só acontecerá se vocês seguirem comigo nesse caminho.

Entre pílulas de pensamento, textos prolixos e algumas passagens fofíssimas do #recantodamatilha , espero tornar esse um espaço de crescimento. Nessa caminhada, quero me despir do que sou e de mãos dadas com você, meu ouvinte falador, encontrar o caminho para me comunicar – agora não muito, mas direito.

Vem comigo?

armandinho

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